terça-feira, 26 outubro de 2021
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Proteger-se do vírus é desafio para quem usa transporte público no DF

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Principal queixa de brasilienses que usam o transporte público no DF é a aglomeração de passageiros. Em meio à pandemia de covid-19, cenário preocupa ainda mais. Governo garante que fiscalização é diária, para reforçar o cumprimento de medidas de distanciamento

 (crédito: Samara Schwingel/CB/D.A Press)
(crédito: Samara Schwingel/CB/D.A Press)

Enfrentar filas e ambientes lotados são alguns dos desafios de quem depende do transporte público do Distrito Federal para se locomover. De acordo com a pesquisa Como anda meu ônibus, realizada pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), entre agosto de 2019 e agosto de 2020, o item mais crítico no sistema é a lotação dos veículos — 66,76% dos 2.960 participantes avaliaram esse quesito como “péssimo”. O estudo leva em conta empresas do DF e do Entorno que circulam pela capital federal. O que já era problemático agrava-se durante a pandemia de covid-19, devido à exposição de passageiros e funcionários ao novo coronavírus.

Para entender os problemas e possíveis soluções, o Correio ouviu usuários, trabalhadores do sistema, especialista em transporte e mobilidade urbana, representantes do Metrô-DF e das empresas de transporte rodoviário e o Governo do Distrito Federal (GDF). Para os problemas identificados, o Executivo local afirma manter fiscalização regular.

Moradora de Planaltina, a bióloga Larissa Pricya, 22 anos, precisa, diariamente, do transporte público para chegar ao trabalho na região central de Brasília. “Não tem distanciamento nenhum, e isso piora bastante nos horários de pico. As pessoas entram mesmo, ficam em pé, nas portas. Por isso, durante a pandemia, pegar ônibus é sempre uma preocupação.” Ela conta que falta apoio e fiscalização. “Durante o tempo em que estou aqui, não vi álcool em gel disponível no terminal e sei que dentro dos veículos não tem. É uma política de cada um por si”, protesta Larissa.

Victor Araújo, 22, também morador de Planaltina, depende do transporte público para chegar ao trabalho, em Sobradinho. Por volta das 9h, o auxiliar de lojas chega ao terminal da cidade e aguarda o transporte. “Espero cerca de uma hora para o ônibus chegar e uma hora e meia para estar no serviço. Na volta, a mesma coisa. Essa é a minha rotina, até nos fins de semana”, diz. Ele considera que a lotação e limpeza são os principais problemas do sistema do DF. “Vejo os ônibus lotados e não percebo uma limpeza tão intensa quanto deveria ser, considerando que estamos em meio a uma pandemia.”

Apreensão

O medo de se infectar com o novo coronavírus faz parte da rotina de quem trabalha no sistema de transporte público do DF. Uma cobradora, de 47 anos, de uma empresa de ônibus do DF, que prefere não se identificar, conta que o principal problema é a falta de conscientização. “Todo dia, aparecem passageiros que não estão de máscara ou que as retiram dentro do veículo. Somos orientados a parar o ônibus e pedir que a pessoa volte a usar a máscara corretamente. Porém, isso atrasa a viagem e a rotina de todos”, ressalta. A funcionária frisa que, por diversas vezes, teve que chamar a polícia. “Existem pessoas que se recusam a seguir os protocolos. O ônibus está lotado, é preciso que nós cuidemos uns dos outros.”

Na profissão há 18 anos, a cobradora afirma que a pandemia transformou a realidade dos trabalhadores da categoria. “Antes, o medo era de assaltos ou de algum tipo de violência. Hoje, o maior medo é de ser infectada pelo vírus ou infectar quem está ao meu redor”, diz. “Mexo diretamente com dinheiro, por isso, tenho cuidados redobrados. Além da máscara, uso álcool para limpar meu local de trabalho, a todo momento, e luvas. Ainda assim, tenho medo.”

O uso de máscaras é obrigatório para todos os passageiros nos ônibus, de acordo com Decreto n° 40.648, de 23 de abril. A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) orientou os motoristas e cobradores das empresas de ônibus a informar aos passageiros sobre a obrigatoriedade e a importância do uso do acessório. A pasta afirma ainda que realizou a distribuição de máscaras nos terminais rodoviários

Flexibilização

A infectologista Heloísa Ravagnani, que atua na linha de frente do combate à pandemia no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), confirma que o risco de contaminação dentro do transporte público é aumentado devido à dificuldade de se manter o distanciamento. “Se alguém tosse e espirra, está bem do lado. A higiene também é bem difícil, isso pode favorecer a infecção”, afirma.

Por isso, a especialista destaca que as empresas de transporte e também os empregadores deveriam adotar medidas para reduzir as aglomerações dentro dos veículos, como mais ônibus em circulação, horários alternativos de trabalho e mais tempo em home office.

Contudo, a médica ressalta que, diante da flexibilização das medidas de isolamento, com a retomada da maior parte das atividades, o risco está pulverizado. “Acho complicado colocar todo o risco no transporte público, não pode crucificá-lo. É um dos focos, mas, hoje, como está tudo liberado, as pessoas podem pegar (a infecção) em qualquer lugar”, pondera.

*Estagiário sob a supervisão de Guilherme Marinho

Lotação dos ônibus

Ótimo 0,71%
Bom 4,43%
Regular 9,90%
Ruim 18,21%
Péssimo 66,76%

Cinco perguntas para

Zuleide Oliveira Feltosa, doutora em transporte pela Universidade de Brasília (UnB)

A oferta de transporte público no DF gera grande insatisfação dos usuários. Onde o governo tem errado, historicamente?

No Brasil como um todo, o transporte público sempre foi um problema para o usuário, ao invés de ser uma solução. De primeira mão, podemos dizer o seguinte: há uma baixa oferta do volume de ônibus, por exemplo, trafegando em períodos em horários fixos e recorrentes. No DF, o rodoviarismo trouxe como consequência drástica um volume exacerbado de automóveis na modalidade individual e uma baixa oferta de ônibus para as pessoas trafegarem. O erro histórico é focar no transporte individual ao invés de focar no transporte coletivo.

A pandemia evidenciou problemas antigos?

Sim, ela colocou em foco os problemas que já existiam. O que vemos é que as regras de distanciamento social são absolutamente desrespeitadas. O ideal seria manter distanciamento social e manter os ônibus coletivos limpos, além de disponibilizar máscaras, por exemplo.

Quais são as alternativas de mobilidade urbana mais eficientes no DF?

Brasília é planejada, o que traz uma consequência muito forte em relação ao funcionamento da cidade que concentra a empregabilidade e núcleo econômico dentro do Plano Piloto — o que serve de polo atrativo de viagem, principalmente, para quem mora ao redor e precisa se deslocar para trabalhar. Medidas como integrar ciclovias e aumentar a irrigação de faixas de pedestres nas vias mais movimentadas para facilitar o deslocamento do cidadão a pé podem ser eficientes para melhorar a mobilidade urbana no DF.

Mudanças na gestão do modelo podem alterar essa realidade?

Sim, o atual paradigma do transporte exige do cidadão e do gestor novas adaptações, ou seja, o governo precisa viabilizar outras modalidades de transporte. Muitas regiões poderiam, em momentos de pico, priorizar uma parte das vias para o ciclista, uma para o transporte coletivo e outra, para o individual. Isso melhoraria os problemas de acidentalidade, e a fluidez do trânsito aumentaria.

É uma questão apenas do governo e das empresas ou os usuários podem contribuir para a melhora do sistema?

O problema é de todos. É do usuário que precisa eleger um gestor e dialogar com maior frequência com as empresas, pois todos são responsáveis pelo que acontece na nossa mobilidade. E como nós poderíamos sinalizar a possibilidade de atuação da população? Temos a participação direta na Ouvidoria de todo sistema público do DF. Outra maneira direta é a participação social por meio de órgãos ou representantes. Temos a Câmara Legislativa que faz esse papel muito bem.

Medidas de proteção necessárias

 (crédito: Minervino J?nior/CB/D.A Press )
crédito: Minervino J?nior/CB/D.A Press

De acordo com o Sindicato dos Rodoviários do DF, com a crise causada pelo novo coronavírus, pelo menos duas empresas reduziram as frotas em até 50%, alegando queda na demanda. Porém, para o presidente da entidade, Jorge Farias, a realidade é outra. “As pessoas continuam utilizando o transporte público e, com a redução da frota, há menos carros nas ruas e os que continuam ficam mais lotados”, argumenta.

“Na categoria, até o início de novembro, tínhamos 200 infectados e 14 mortos pela covid-19”, ressalta. Farias considera que o ideal seria manter todos os veículos operando. “Mesmo que a arrecadação tenha caído, não é o momento de se expor”, finaliza.

O Governo do Distrito Federal, por meio da Semob, informou que, em 21 de maio, a higienização dos ônibus durante a pandemia passou a ser obrigatória, com a publicação da Lei Distrital nº 6.577. Os veículos de todas as operadoras devem ser limpos com desinfetante de hipoclorito de sódio antes das viagens. Ao final da operação, todos devem ser lavados. As empresas foram orientadas a dispor álcool em gel para a higienização das mãos de motoristas e cobradores. A pasta garante que os auditores realizam vistorias diárias nos veículos para garantir o cumprimento das normas.

Em nota, a pasta salienta que realiza “ações de melhoria no âmbito da mobilidade urbana do DF, como a operação de veículos com portas em ambos lados na EPTG, facilitando o embarque e desembarque dos passageiros, entrega e construção de terminais, criação e readequação de linhas, construção de abrigos e implantação de faixas exclusivas para ônibus”.

Apesar das denúncias de redução de frota, as viações Marechal, Pioneira e São José e o Metrô-DF dizem que, desde o início da pandemia, 100% dos veículos estão em circulação, mas calculam haver uma redução média de 50% de passageiros. Todas afirmam que seguem os protocolos sanitários.

A Semob também garante que as operações estão ocorrendo com 100% da frota e informa que, caso seja identificado algum descumprimento, o usuário pode registrar reclamação na Ouvidoria, pelo telefone 162.

 

Informações Correio Braziliense

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