terça-feira, 26 outubro de 2021
Aqui você fica por dentro de tudo que acontece em Brazlândia.

Brazlândia – DF

Notícias

Medidas de segurança, profissionais enfrentam riscos de contaminação

4 Mins read

Ainda que adotem todas as medidas de proteção contra a infecção pelo novo coronavírus, profissionais enfrentam riscos e os receios de contaminação durante a rotina de trabalho. Infectologista explica por que alguns ambientes oferecem mais perigo de contágio

 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

O Distrito Federal está há oito meses na batalha contra a covid-19, entre medidas de contenção, isolamento social e flexibilização das atividades ao longo dos meses. Na luta diária, médicos, enfermeiros e infectologistas encararam os riscos de contaminação de frente para melhor atender e dar suporte aos pacientes com a doença. No entanto, outras profissões também oferecem perigos de infecção na rotina de trabalho. A infectologista Ana Helena Germoglio explica porque alguns ambientes são mais propensos à exposição da covid-19 do que outros.

Para Ana Helena, a forma e o tipo de exposição que cada pessoa tem em relação ao novo coronavírus influenciam nas chances de contágio. “Isso depende muito. Os médicos e os profissionais que atuam na área da saúde diretamente com pacientes com covid-19, e dentistas que trabalham com procedimentos utilizando aerossol, que ocasionam uma propagação do vírus no ar, vão ter um risco maior do que um ortopedista, por exemplo”, conta. Fora da ala hospitalar, a possibilidade está relacionada também ao ambiente, como espaço com aglomeração e locais fechados. “Em bares, onde as pessoas se aglomeram sem máscara, no transporte público ou por aplicativo, o perigo é mais alto”, pontua.

“Qualquer profissão que tenha contato muito próximo com pessoas, em ambientes fechados ou aglomerados tem um potencial de contaminação”, analisa. Por outro lado, as atividades ao ar livre e em escritório sem atendimento ao público oferecem menos risco, se a pessoa seguir os protocolos de higienização e proteção, como o uso de máscara facial e álcool em gel 70%. De acordo com a infectologista, o tempo médio para uma pessoa se contaminar é de 15 a 20 minutos ao lado de alguém com o vírus ativo.

O receio de contrair a doença faz parte do dia a dia de André Henrique da Silva, 34 anos. O cobrador, que atua nas linhas circulares do Plano Piloto, conta que é comum ver colegas da profissão sendo contaminados. “Uma vez, eu pensei que estava com a covid-19. Fiz o exame e deu negativo. Mas, no nosso meio, é constante ver pessoas que foram infectadas, que se recuperaram, e tem aqueles que, infelizmente, faleceram pela doença”, comenta o morador de Valparaíso.

“Qualquer pessoa que esteja trabalhando hoje, na rua, corre sério risco de ser contaminada, independentemente da função. Lógico que a gente (rodoviários) pode ter um pouquinho mais de risco, porque lida com o público em geral. Nosso meio é complicado”, conta André. Os dias de chuva, com as janelas fechadas, ele avalia como sendo os mais críticos. Para ele, o importante é continuar os cuidados de proteção. “E esperar que haja uma vacina para a gente viver de uma forma mais tranquila”, afirma o cobrador.

Na avaliação de Ademar Rodrigues, 52, que está desde 1984 atuando como motorista de ônibus, a conscientização da população e os cuidados com o vírus estão maiores do que no início da pandemia. “No começo, as pessoas tinham resistência a usar a máscara. A gente pedia para colocá-la, e elas achavam ruim, brigavam, diziam que era besteira. E, hoje em dia, não vejo mais isso”, comenta Ademar. Ele contraiu o vírus nos primeiros meses de pandemia na capital, enquanto trabalhava.

Protocolos

Para o garçom Murilo Ferreira Bisco, 34, mesmo lidando com clientes sem máscara durante a entrega de bebidas e petiscos em um bar na Asa Sul, os protocolos de prevenção têm proporcionado um pouco mais de segurança. “Receio todo mundo tem, mas a gente está seguro com o que a empresa nos fornece. E, também, sempre tento manter o distanciamento do cliente na mesa”, destaca. O gerente do estabelecimento conta que o local disponibiliza totens de álcool em gel, espalhados pelo espaço, medição de temperatura e uso de máscara pela equipe e pelos clientes enquanto circulam no estabelecimento.

A dentista Sheila Campos de Oliveira, 47, conta que seguir as medidas de assepsia e proteção é essencial para a segurança tanto do profissional quanto dos pacientes. “É preciso ter essa consciência e percepção. Estamos lidando com a vida de alguém e a nossa também”, ressalta. Na clínica, o cliente tem de lavar o rosto e as mãos antes de entrar no consultório. Se estiver com algum sintoma gripal, o recomendado é retornar em outro momento. O espaço é limpo rigorosamente e todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) são trocados a cada atendimento. Para ela, o processo de adaptação não foi fácil, mas, se for seguido da forma correta, ela analisa que os profissionais da odontologia estão preparados.

Duas perguntas / Leandro Machado, infectologista

Na sua avaliação, como está o cenário pandêmico na capital?
Estamos em um platô, onde há variação de casos e os hospitais não estão cheios igual antigamente. Mas a gente vem percebendo, e isso é sensível para quem trabalha na ponta, que os números estão aumentando. As internações estão aumentando, então, se continuar nessa tendência, a gente terá um novo pico. Uma nova onda.

Quais as medidas necessárias para evitar uma eventual segunda onda?
As únicas medidas eficazes são o isolamento de forma consciente e o uso de equipamento de proteção individual. Já temos um estudo que mostra que existe a transmissão do vírus pelo ar. E quando se tem transmissão pelo ar, o que protege é a máscara PFF2, utilizada em hospitais. A gente precisa repensar a máscara de pano; o uso dela foi colocado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em tempo de isolamento, caso a pessoa precisasse sair de casa. Só que agora a gente está liberando a população para rua, usando a máscara de pano mesmo sabendo que ela não é eficiente. Vamos ter um número maior de infecção por conta disso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WeCreativez WhatsApp Support
Queremos ouvir você! Ajude o Portal de Brazlândia a ficar com a sua cara.
👋 Mande sua mensagem, notícia, elogio, reclamação ou dúvida sobre anúncio

Os cookies nos ajudam a fornecer, proteger e melhorar nossos produtos e serviços. Ao usar nosso site, você concorda com o uso de cookies.

Configurações de cookies

Abaixo você pode escolher quais tipos de cookies permitem neste site. Clique no botão "Salvar configurações de cookies" para aplicar sua escolha.

FunctionalOur website uses functional cookies. These cookies are necessary to let our website work.

AnalyticalOur website uses analytical cookies to make it possible to analyze our website and optimize for the purpose of a.o. the usability.

Social mediaOur website places social media cookies to show you 3rd party content like YouTube and FaceBook. These cookies may track your personal data.

AdvertisingOur website places advertising cookies to show you 3rd party advertisements based on your interests. These cookies may track your personal data.

OtherOur website places 3rd party cookies from other 3rd party services which aren't Analytical, Social media or Advertising.