História de Brazlândia

Localizada a 59 quilômetros do Plano Piloto, é a cidade que tem perfil mais diferente de Brasília. Com 53 mil moradores, pode ser descrita como uma ilha de paz, história e muita tradição.

UM JEITO CALMO DE VIVER

Brazlândia é, no Distrito Federal, a cidade mais distante de Brasília, a 59 quilômetros do Plano Piloto. Por acaso, ou não, é também a que mais se diferencia do dia-a-dia da Capital Federal. Com um ritmo de vida interiorana e economia baseada na produção agrícola, tem história bem mais antiga do que a maioria das outras regiões administrativas do DF. Cheia de famosos nomes de famílias e pioneiros com histórias de épocas distantes. Hoje, Brazlândia é marcado por ambientes bucólicos, cachoeiras e bate-papo à beira do Lago Veredinha. Tem também grande potencial turístico, sendo muito procurado por suas festas agrícolas, como a do Morango ou a do Leite, e religiosas, caso da Festa do Divino ou o Encontro da Mãe com o Filho.

Tanto a tradição agrícola quanto a religiosa tem raízes no começo do século 20, quando quatro famílias goianas e mineiras aportaram nas terras da chapada do Vão dos Angicos. Foram os Abreu de Lima, os Rodrigues do Prado, os Cardoso de Oliveira e os Braz de Lima, os Rodrigues do Prado, os Cardoso de Oliveira e os Braz quem povoaram a terra que futuramente seria Brazlândia.

O desenvolvimento foi trazido, principalmente, pelos Braz, de Carmo do Paranaíba, em Minas, e pelos Cardoso de Oliveira, de Posse, em Goiás, que já tinham tradição como agricultores e pecuaristas. Os dois clãs logo estabeleceram relação familiar e de negócios, realizando atividades agras pastorais nas três décadas seguintes.

No início dos anos 30, as famílias conseguiram, por influência política, que o povoado fosse elevado à categoria de distrito de Santa Luiza (hoje Luziânia). Tanto os Braz quanto os Cardoso de Oliveira tinham negócios na cidade goiana. Foi quando o lugar recebeu o nome de Brazlândia, em homenagem à família mais numerosa da região. O decreto criando o distrito é de 15 de abril de 1932, sendo a data mais significativa para a cidade. Mesmo assim, o aniversário é comemorado em 5 de junho, porque foi nessa data, em 1933, que foi criada a subprefeitura de Brazlândia.

A vinda da capital

A decisão do presidente Juscelino Kubitschek de levar a Capital Federal para o Plano Piloto Central mudou o rumo da pequena Brazlândia. Já em 1958, foram desapropriados, amigavelmente, mais de mil alqueires da cidade. Apenas a área que circundava a sede urbana de Brazlândia não foi transferida para o Governo.

Muitas das antigas fazendas da região desapareceram depois do represamento do Rio Descoberto e a formação do Lago do Descoberto, destinado para acumulação de água potável para Brasília. Hoje a represa é responsável pelo abastecimento de mais de 60% da água de todo DF.

Se na época da inauguração de Brasília, Brazlândia, já incorporada ao DF, tinha menos de mil moradores, nos anos seguintes a cidade experimentou em crescimento acelerado. Centenas de agricultores japoneses e procedentes de outras partes do país foram assentados no Núcleo Rural Alexandre Gusmão. Outros tanto migrantes de Goiás se instalaram na zona urbana. No final dos anos 60, foi criado u loteamento de duas mil casas para assentar a os moradores da favela Vietcong, perto de Taguatinga.

Em meados da década de 80, quando foi criada a Vila São José, a população de Brazlândia era de 25 mil habitantes. O que não mudou tanto o modo de vida calmo dos moradores, ainda presente nas antigas e novas ruas. Hoje com cerca de 53 mil moradores, Brazlândia é uma potência agrícola do DF e começa a explorar turisticamente a região, riquíssima em belezas naturais e com festividades tradicionais o ano todo.

Etimologia
O nome Brazlândia originou-se em homenagem à família Braz, os primeiros habitantes do local e fundadores de um vilarejo, que em 1933 se tornaria a cidade de Brazlândia

 

Famílias Pioneiras

OS BRAZ
Proprietários das terras onde hoje está localizada a cidade, na verdade não residiam na região, aqui chegando por volta de 1910, após outras duas famílias que já ocupavam parte das terras, os Abreu Lima e os Rodrigues do Prado.Os herdeiros do espólio de Amélia Braz de Queiroz, chefiados por João Braz Sobrinho, resolveram explorar a outra parte das terras que lhe restaram e aqui fixaram residência fazendo crescer e multiplicar a família que deu seu nome a esta que é, hoje, um orgulho para todos os que aqui residem.

Vieram da cidade de Carmo do Paranaíba, em Minas Gerais. João Braz casou-se duas vezes, sendo a primeira com Ana Bittencourt (de descendência francesa) e a segunda com Dona Maria. Do primeiro matrimônio nasceram os filhos: Eduardo, Vergílio, Ponciano, Antônio, Manoel, Amélia e Castroina. Do segundo casamento nasceram: João, José, Pedro, Orozina, Abílio, Benedito, Joaquim, Jovelino e Otaviano. O filho Manoel,  do primeiro matrimônio, casou se com uma filha dos Cardoso de Oliveira, de nome Melânia e Abílio, do segundo matrimônio, casou-se também com uma Cardoso de Oliveira, de nome Elmira.

OS ABREU LIMA 
O patriarca da Família Abreu Lima, a primeira a chegar à região, juntamente com os Rodrigues do Prado, isto no final do século XIX, era Antônio Vitor de Abreu Lima, cuja esposa chamara-se Joana de Abreu Lima. Este casal, oriundo de Minas Gerais, gerou seis filhos: Manoel, Agostinho, Joaquim, José, Herculano e Vicente. Todos viveram nas terras de Brazlândia no final do século XIX e início do século XX e deram à luz a uma terceira geração de Abreu Lima. O filho mais velho, Manoel, casou-se com uma Rodrigues do Prado, de nome Maria.

OS RODRIGUES DO PRADO

Os Rodrigues do Prado, também oriundos de Minas Gerais e que chegaram à região juntamente com os Abreu Lima, tinham como chefe do clã o senhor Antonio Manoel Rodrigues do Prado, casado com Catarina Rodrigues do Prado. Tiveram onze filhos: Ventura, Bento, Paulino, Maria (que se casou com um Abreu Lima, de nome Manoel), Delfina, Teresa, Cassiana, Getúlio, Antonia, Francisca e Jonas.

OS CARDOSO DE OLIVEIRA

A quarta família a chegar às terras goianas da Chapadinha, no Vão dos Angicos, mais ou menos em 1910, a exemplo dos Braz, foi a dos Cardoso de Oliveira, procedentes de Posse, em Goiás. Eram cinco irmãos: Antonio (Tota), Leonardo, Etelvino, Ernesto e Vicente. Antonio e Leonardo eram casados com moças de Minas Gerais, Maria Cristina e Julieta Ratz, respectivamente. Antonio Cardoso de Oliveira, o Tota, e Dona Maria Cristina geraram seis filhos: Benjamin, Cristiano, Antonieta, Clóvis, Elza, Julieta e Antonio. Antonieta casou-se com Voltaire Aires Cavalcante, que chegou à região procedente de São José do Duro, hoje Dianópolis, em Goiás.

O segundo irmão, Leonardo Cardoso de Oliveira e Dona Julieta Ratz geraram dez filhos: José, Elmira, Maria, Melânia, Judith, Elvira, Joana, Benedita, João e Domingos. Duas de suas filhas casaram-se com dois irmãos Braz: Melânia casou-se com Manoel e Elmira com Abílio. Judith casou-se com Benedito Carlos de Oliveira, o Bidó, Elvira casou-se com Ivo Alves Rabelo, procedente de Formosa.

O terceiro irmão, Etelvino Cardoso de Oliveira, casou-se com Dona Apolinária, gerando seis filhos: Coleto, Maria, Nei, Ruth, Ozana e Belarmina.

O quarto, Ernesto Cardoso de Oliveira, casou-se com Dona Maria Amâncio, gerando quatro filhos: Itamar, Adair, Jurandina (a loura) e Natália (a nega).

O quinto irmão, Vicente Cardoso de Oliveira, contraiu núpcias duas vezes: a primeira com Dona Clotildes e a segunda com Dona Jocunda. Gerou seis descendentes: Elias, Dustan, Gerson, Toninho, Maria e Valdeci.

Assim nasceu Brazlândia!