Estudo mostra que brasileiro faz dívidas até para comprar comida

Pesquisa da CNC aponta que, de cada quatro núcleos familiares do país, três estão endividados, a maioria em razão do uso do cartão de crédito na aquisição de itens essenciais. E 25% deles não conseguem pagar o que devem na data de vencimento

As famílias brasileiras continuam altamente endividadas e o quadro de inadimplência segue o mesmo ritmo. É o que aponta a mais recente pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que traz novo recorde no número de endividados no mês de agosto, de 72,9%. O percentual corresponde a 11,89 milhões de famílias com alguma dívida em aberto.

A pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor (Peic) aponta que grande parte do endividamento das famílias, cerca de 83%, se concentra no cartão de crédito. Isso porque, nos lares de renda mais baixa, o crédito tem sido utilizado até para adquirir itens essenciais, como comida. “Com a alta inflação sobre itens essenciais na cesta de consumo das famílias de menor renda, (as famílias) acabam tirando espaço do orçamento e se endividando mais para consumir itens de primeira necessidade, como alimentos. O dinheiro não está chegando ao fim do mês e as pessoas estão usando o cartão de crédito para fazer essa cobertura”, explica Izis Ferreira, pesquisadora responsável pelo levantamento da CNC.

A secretária Maria Rosa Tavares Oliveira, de 39 anos, ilustra bem esse cenário. Ela conta que, devido à necessidade de uso de oito medicações por dia, precisa recorrer ao crédito para as outras despesas básicas. “Tem mês que não tem como, tem que apelar para o cartão de crédito. Aí as faturas comem boa parte do meu salário. Quase 30% da renda da minha casa está indo para o pagamento de faturas”, lamenta a moradora do Gama.

A cuidadora Rosilene de Souza, 46 anos, moradora do Paranoá, também desabafa. “Mesmo com a ajuda da família, muitas vezes acabo usando o cartão de crédito para fazer a compra do mês. O problema é que parece um caminho sem saída, parece que a fatura aumenta mais a cada mês que passa”.

FONTE: Correio Braziliense

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